Experiências de quase Morte
Por Silvio Carvalho Filho
Tudo o que é desconhecido fascina o ser humano. Os mistérios do universo desafiam a inteligência, e quando mal desvendados, constituem-se de mais uma prova que o homem encontra-se nos primeiros degraus de sua evolução universal.
As Experiências de Quase Morte aqui descritas foram narradas pelas próprias pessoas que passaram pela vivência, desde o ano de 2005. Houve também uma seleção de fatos publicados através da internet, jornais e revistas.
Há pequenas diferenças entre um caso e outro, mas no geral, a pessoa que passou pela EQM tem cenas e impressões semelhantes.
Os começos dos casos são parecidos: o corpo físico da pessoa passa por um estágio de inanição, relaxamento, ou coma. Estando em um hospital ou acidentado na beira de uma estrada, têm a sensação de desprendimento do próprio corpo físico.
Entra num estado de relaxamento pleno, inconsciente, e a partir de então, passa momentos de paz interior tão intensos, que muitos confessam o desejo de não mais regressar à vida.
As cenas e sensações são semelhantes. Pacientes enfermos, vítimas de afogamento, acidentes de trânsito, contam que se vêem num túnel com uma forte luz, para onde se dirigem. Alguns assistem o desenrolar de toda a vida naquela fração de segundo. Outros têm contatos com parentes ou amigos, vivos ou falecidos.
E voltam. Uns por que foram chamados pelo nome. Outros, incentivados por quem estava “do outro lado”. E há ainda casos que a pessoa não se lembra, acha que poderia ter morrido, mas voltou.
Importante observar que, embora a EQM não seja a Projeção Astral, ambos dependem do estado letárgico dos sentidos. São experiências onde não há uma ordem lógica de tempo e espaço.
Podemos concluir que uma grande diferença entre ambos, é que um pode ser realizado voluntariamente, através da prática de relaxamento e meditação, entrando em estado Alfa (*) e sua prática pode ser em semi-consciência. A EQM é involuntária e independe da vontade da pessoa.
(*) (Estado de parada e relaxamento muscular do corpo, com redução da frequência mental, no qual se pratica meditação, anulação dos cinco sentidos e aperfeiçoamento do sexto sentido).
O fato é que este fenômeno tem merecido estudos de cientistas, religiosos e pesquisadores de todo o mundo. Alguns cientistas explicam o fenômeno como conseqüência da ingestão de medicamentos por conta do tratamento de pacientes nas UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) dos hospitais.
Há também aqueles que acreditam ser experiências relacionadas a problemas psíquicos ou neurológicos.
O que se sabe é que geralmente, quando regressam, as pessoas mudam radicalmente sua postura diante da vida, tornando-se mais altruístas, espiritualizadas e tolerantes. E não poderia ser diferente, pois quando tomamos consciência da grandiosidade do universo e do mistério infinito que nos envolve, entramos em contato com nosso tamanho em comparação com o todo.
Emais: quem passou por isto , tem a sensação de pureza espiritual plena e sente que o universo é muito mais complexo e misterioso do que se imagina.
Há um consenso geral de que ao alcançar o estado maior de evolução, o sexto sentido fica mais ativo. Conseqüentemente, a percepção da vida, limitada aos cinco sentidos, fica menor. E nesse grau de evolução, todos têm pensamentos semelhantes de pureza e sabedoria. Quem sabe ?
Talvez quem passou por isto tenha sido privilegiada ao ter uma projeção do futuro do ser evoluído, uma “amostra grátis” do que ele ainda não é.
Um acidente de Asa Delta
O primeiro depoimento, e que motivou a edição deste documento, envolveu um amigo que praticou o vôo livre. Vamos chamá-lo de Queiroz.
Queiroz, casado e pai de dois filhos, adorava voar de Asa Delta. Ele se acidentou na cidade de Mogi das Cruzes, após ter feito um pouso de emergência.
Durante um pouso mal sucedido, ele acabou batendo a cabeça num desnível do solo e ficou paraplégico.
No hospital, verificou-se que havia fraturado uma vértebra. Por não sentir mais a parte inferior do corpo, também não sentia dores no abdômen. E uma infecção que só foi percebida tardiamente o levou ao estado de coma.
Praticante da religião budista, ele chegou a confessar aos amigos que não via mais motivação para continuar vivendo, logo depois do acidente.
E esta entrega pode ter prolongado seu estado de coma na UTI. É fato conhecido de toda classe médica hospitalar que o paciente que não tem mais motivação para viver, tem seu corpo dominado pela doença e baixa sua resistência às infecções em geral. E ao contrário, quando tem uma razão para continuar vivendo, seu organismo reage e o poder de cura aumenta.
Neste estado, Queiroz, passou por uma EQM.
Ele conta que se viu num túnel, passou pelas visões comuns de encontros e aparições, mas o fato mais marcante aconteceu numa espécie de plantação, uma fazenda. Havia muito verde naquele local e lá estava uma sua amiga budista, que veio ao seu encontro. Sua amiga lhe dedicava uma imensa amizade e ele a chamava de mãe Maria. Ela veio ao seu encontro neste plano astral, e disse-lhe que ele deveria voltar, pois ele ainda tinha uma missão na terra.
Queiroz conta que então saiu do coma e no primeiro contato com sua esposa, pediu para ver a “Mãe Maria”. Sua esposa disse que iria providenciar. Mas protelou a visita por uma razão contundente: Maria havia falecido um dia antes daquele contato no astral.
Ele ficou sabendo disto depois de tanto insistir em vê-la e diante de tantas evasivas de sua esposa em não trazê-la.
Deliberato: a religião está dentro
Isidoro Deliberato, era de religião messiânica e já com mais de setenta anos narra que sua experiência ocorrida no ano de 1996. Ele teve uma hemorragia no pulmão quando, num dia, pela manhã repetia sua rotina de tomar café e fumar seu primeiro cigarro do dia. Ele contou:
“Naquele dia, como sempre fazia, levantei-me bem cedo, fui até a sala e fui fumar cigarro e tomar café. De repente senti tontura e uma vontade muito grande de vomitar, sai correndo ao banheiro, abri a boca e saiu só sangue vivo. Chamei por minha esposa. Ela ficou nervosa e quem socorreu foi meu filho. Ele me levou ao hospital e um especialista conseguiu obstruir o sangramento. Fiquei no hospital mais de uma semana e em coma durante n dias. Durante o coma é que vivi isto”.
“Eu me vi num local uns três metros acima de várias pessoas andando prá cá e prá lá. E tive vontade de descer, mas não queria voltar mais. Era um local verde e tinha pessoas andando. Então senti uma grande vantagem de ficar e não sair mais de lá. Quando percebi estava sentindo pessoas fazendo massagem com o dedão na minha testa. Era uma mulher e dois homens. Eu não podia ver ninguém porque minha cabeça não mexia. Depois da massagem, acordei e voltei do coma. Eu senti a massagem e depois voltei. Foi uma experiência inesquecível”.
“Minha vida mudou completamente. Passei a dar valor às coisas, a vida muda completamente. Agora eu acho que a minha religião hoje é o que está dentro de cada um”.
Ela negociou a morte durante a QM para 20 anos depois. E aconteceu!
O fato começa em 15 de Outubro de l974, e é narrada por uma das filhas, Vera Tabach, que durante vários anos foi colunista social do jornal Notícias de Poá.
“Quando isto aconteceu, minha mãe (Odete Guilherme Raymundo) tinha 43 anos e nós éramos dez filhos. Estava no hospital em São Miguel Paulista e o médico era do Dr. Gilberto Maida. Ela teve um derrame foi levada para o hospital (UTI) e depois de dois dias voltou para casa. Depois começou a sentir-se mal novamente e a levamos ao hospital Santana, em Mogi das Cruzes e lá teve outro derrame e ficou na UTI em coma durante três meses. Praticamente morta, não conhecia ninguém. Depois dos três meses saiu da UTI e foi para o quarto, mas ainda não falava.
Aos poucos ela foi voltando e depois de seis meses começou a contar o que se lembrou durante o estado de coma. Então ela contou que esteve num lugar onde as pessoas andavam de branco. Ela disse que viu e falou com o pai e a mãe dela, pessoas que não conhecia, achava que eram médicos. Contou que sabia que estava no hospital e que estava morrendo. Disse que falava com o pai e mãe, mas eles não respondiam. (Os pais já estavam mortos). E que falava com algumas pessoas em francês. Isto ela contou para toda minha família.
Descrevia que estava no quarto de hospital e as pessoas vinham visitá-la, todos de branco, e ficavam olhando, mas não falavam com ela. Só tinha um homem que falava com ela e estava vestido de médico. Ai ela dizia para o médico que sabia que estava no hospital e que iria morrer, mas que não podia por que tinha dez filhos para criar.
Ela contou então que ela pediu um “acordo” para viver mais. Ele teria dito que não adiantaria ela voltar por que ela era muito nervosa e que teria outro derrame. Pediu para viver mais 20 anos e que durante este tempo mudaria completamente.
Quando Vera ouviu isto, conta emocionada, que acreditava que tudo era alucinação ou sonho de sua mãe.
Odete retornou ao lar voltou a ficar mais calma. “Era outra pessoa” – conta Vera. Antes era cheia de frases prontas. Dizia sempre prá tudo tem jeito, só não tem prá morte. Depois disto, passou a dizer que “prá tudo tem um jeito, e até para a morte, se você conseguir um bom acordo, você volta”.
Mas a grande “coincidência” foi que passados exatos 20 anos, no dia 18 de outubro de 1994 ela faleceu.
Em abril de 1994 ela começou a ficar mal. Em outubro teve aneurisma cerebral e novamente ficou com problemas. No dia 16 de outubro, ligou para todos os filhos e deu conselhos, falou tudo claramente. Ficamos até surpresos.
No dia 17, uma quinta-feira, ela foi para o hospital, depois saiu, ligou e conversou com os dez filhos. Ela deu conselhos para todos os filhos. Voltou para o hospital dia 17 e no sábado de madrugada, às 5 horas da madrugada, ela faleceu. Nesta hora exata, todos os filhos e netos acordaram. Um dos filhos, ateu, disse que acordou porque o despertador tocou”
Andréa: visitada por freiras
Andrea Carla Martinelli, jornalista e professora, narrou seu caso ocorrido em 21 de novembro de 1992, na cidade de Poá. Ela retornava de uma tarde de sol com amigas em uma chácara, com uma Mobilete. O pedal da sua motocicleta enroscou no canteiro da avenida, ela caiu e acabou ficando sob o ônibus. Quebrou 12 costelas.
Uma costela quebrada perfurou o pulmão direito. Ela lembra-se que no trajeto até o Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, sentiu as fortes dores e falta de ar, já que eu estava ficando cianótica. Após dois dias de internamento diz que acordou amarrada em um leito de UTI, sem ter a mínima idéia da gravidade do acidente.
Ela escreveu::
“Os dias se passavam e a melhora não vinha. Meu quadro clínico se complicava a cada dia, pneumonia nos dois pulmões, infecção hospitalar e a certeza de que tudo que era possível, dentro das possibilidades e recursos do hospital estava sendo feito. Isso não era suficiente, e eu morria todo dia pouco a pouco.
Já estávamos no quinto dia de luta pela vida, éramos muitos nesta tarefa, eu, médicos, enfermeiros, auxiliares, família, amigos, sempre acreditando no sucesso, que parecia ficar cada vez mais longe. Até que na madrugada de 26 de novembro o respirador, que até o momento me mantinha viva, quebrou e a solução momentânea foi a respiração artificial com uma bombinha manual.
Mais de seis horas inúmeras pessoas fizeram o mesmo e cansativo movimento para levar ar até meus pulmões e garantir mais uma vida. A comoção foi geral quando ninguém mais tinha forças e eu peguei a bomba e fiz o mesmo procedimento com muito esforço; todos choraram neste momento.
Pela manhã, eu estava exausta e pela primeira vez não acreditei mais no sucesso da recuperação, desejando abreviar meu sofrimento e de meus familiares também. Achei que o tempo de UTI e as complicações constantes no quadro clínico eram suficientes para confortar a todos, já que neste momento as chances de vida não passavam de 30%.
Alguém já disse um dia “somos o que pensamos que somos” e o dia em que pensei em desistir, meu corpo recebeu esta informação e começou a desistir de reagir. Na tarde de sexta-feira, durante a visita, minha mãe encontrou no leito, uma filha sem ânimo, com dores e dificuldades de até mesmo abrir os olhos. Acreditei ser meu último dia.
Me lembro que naquele dia, recebi a visita de duas freiras, elas disseram ter ido me ver a pedido de algumas pessoas. Pensei comigo passou logo o horário de visitas hoje, e eu nem as conheço, apesar do carinho com que se dirigiram a mim. Na verdade, vim a saber depois que eram três horas da manhã, e não são comuns visitas este horário, muito menos em UTI, quanto mais de freiras, dado o adiantado da hora.
Fui transferida de hospital depois deste dia, e as mesmas freiras estiveram no Hospital Santana, em Mogi das Cruzes, me visitando quando eu já estava no quarto, onde também pude me comunicar com elas.
Estava pacientemente contando a elas como tinha sido o acidente, quando fui advertida por minha tia, que deveria me acalmar, dizendo que eu estava muito agitada. Respondi, que estava bem, apenas contando às minhas ilustres visitas a seqüência dos fatos, até aquele momento. Para minha surpresa, ela disse que era madrugada e estávamos a sós no quarto. Simplesmente minhas visitas evaporaram.”.
E logo que me senti um pouco melhor em casa, estive novamente no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos, para saber se eu havia recebido visitas de madrugada. Eles sorriram com a pergunta e disseram que esta possibilidade era inviável”.
Paz e tranqüilidade
O depoimento é da aposentada Hilda:
“Há 26 anos atrás quando tinha apenas 14 anos, e após uma cirurgia complicada para retirada do apêndice, passado uma semana, minha situação se complicou, meu intestino colou e tive que voltar às pressas para mesa de cirurgia.
Devido a gravidade da situação, foi um alvoroço toda a preparação, e a coisa tinha que ser rápida. Após receber a anestesia geral e apagar, lembro que sai do meu corpo e fiquei acima da maca, flutuando dentro do centro cirúrgico, assistindo minha cirurgia, como se estivesse ali torcendo para dar tudo certo.
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Parte 2 - Continuação